terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Sobre a falta

Antes, era quase imperceptível o modo com que ele mudava a minha vida. Os mais espertos perceberam primeiro. Depois os mais tolos começaram a desconfiar que ele tinha algo de especial e que esse algo mexia muito comigo. Eu fui a última a ter noção do perigo. Na verdade, noção é o tipo de coisa que sempre me mandou lembranças. Quando se trata de perigo então, a noção passa bem longe de mim. É aquela coisa de correr riscos. De estar sempre procurando alguma situação nova. Aquela sensação boa de ser inexperiente ainda. O medo sempre andou junto, de mãos dadas comigo, mas meu medo é calado. Sempre foi. Também não é grande. Nunca foi. É do tamanho do meu senso. O que não é lá grandes coisas. Então eu nunca dei ouvido à eles. Nem ao senso nem ao medo. E tudo dava certo, na maioria das vezes. Ele sempre foi de falar pouco e ficava horas ouvindo-me contar casos, incontaveis casos. Muitos deles desinteressantes, até. Mas isso nunca foi motivo de queixa da parte dele. Aliás, quando se tem a impressão de estar no céu, pouca coisa importa. Acontece que foram sete ou oito meses. Sete ou oito meses que ele dominou a minha vida e tornou-a, no mínimo, mágica. A companhia era um prazer. O toque ia muito além do prazer. Os beijos então... aaaaah, esses me levavam nas nuvens em questão de segundos. Ele ainda colore a minha vida. E também consegue transformar um punhado de coisas. Até os mais tolos conseguem perceber a falta que ele faz. A falta que ele ainda faz. A falta que ele sempre vai fazer..

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