domingo, 20 de janeiro de 2008

Paraíso Proibido

Ele sabe que eu ainda o amo em silêncio. Não sei se doeu nele saber que em mim dói aquela história com a outra que - isso ele não sabe - muito importou. Dói também ter ficado sozinha, enquanto ele sempre esteve com outra - e ora, quando não nos víamos, ele era sempre o volúvel que logo estaria com a outra - dói também. Nos amamos pelo errado. Há tempos não nos vemos. Ele tem alguém e escreve cartas para ela. Isso eu sei. Eu sempre fui de cartas. A cor preferida dele, eu não sei. Mas o nome de todas as ex-namoradas, eu sei sim. E ele então se pergunta de que valeu ainda lembrar de mim naquela canção, se só o que eu lembro são os scraps que ele trocava com outra? E eu então me pergunto de que adianta escrever carta, se ele, provavelmente, dizia que amava infinito em cima de outros lençóis? Eu me pergunto todo maldito dia quando me levanto, de que adianta pensar nele em todo filme de amor se ele já escreve roteiros em que eu não apareço? Eu olho no espelho e não faço outra coisa, se não me perguntar de que vale essa maldita lembrança que está até no gosto da pele? O que ele não sabe é que tudo que eu faço, é pra ele. Ele não sabe que, se lesse as cartas que eu escrevo, teria certeza que eram pra ele. Que é na textura do cabelo dele que eu penso quando toco um outro alguém, e que eu ainda acho a coisa mais bonita aquele sorriso de lado, quase que forçado. E são roteiros assim que eu escrevo. Ele tem outra e eu tenho um novo sentimento. Isso ele não sabe, mas deve imaginar. Ele sempre soube como eu me apego aos pequenos defeitos de toda santa criatura com quem me envolvo. É que, em silencio, ele não sabe que eu... que eu sei que nada no mundo é igual a Jesse e Celine, Joel e Clementine, Abelardo e Eloísa. Mas que eu sei que é amor, e ainda vai ser, mesmo quando deixar de ser. E isso ele também sabe.

Ahh, se ele soubesse o que pensa saber..

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