terça-feira, 13 de abril de 2010

Vai, sem volta.

– Vou dar uma volta... depois você me procura.

(Vai, pode ir. Vai 'dar sua volta' pra ver se encontra qualquer outra que talvez seja melhor do que eu. Se aproxime dela, se entretenha numa breve apresentação seguida de sorrisinhos amarelos e uma eterna falta do que falar.
Então beije-a, com aquela intensa fúria que me beijava, quero ver se ela sabe corresponder à altura.
E aí, você me vê. Me vê e percebe que eu não pude esperar você dar uma voltinha. Que à mim se aplica aquela frasezinha clichê "quem não dá assistência, abre a concorrência e perde a preferência". Você me vê sorrindo pra um cara com quem eu conversava descontraidamente, enquanto, mentalmente, eu agradecia à Deus por estar bêbada e achar uma graça tremenda  na cena que você criou pra se vingar.
Beijar outras pra provocar ciúmes, querido, é para crianças.
Olhe para mim e preste bem atenção, deixa eu lhe dizer que não sirvo pra depois. Não sou sobra do almoço pra você requentar na janta. Não conheço o que existe entre o já é ou o já era.

Procurar você? Vai se foder! Você me negou por duas vezes, não haverá uma terceira.

Eu vou é me procurar em tantos outros que podem e querem me amar bem mais e melhor que você. Outros  que venham a transformar esse conto breve em alguns capítulos a mais de romance)

– Depois, talvez, eu não queira mais.

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