quinta-feira, 24 de abril de 2008

Tenho dito

Ontem eu tive insônia, hoje acordei de mal humor. Não pela insônia porque à ela já me acostumei, mas porque tive de acordar para ouvir a mesma ladainha que o mundo insiste em susurrar ao pé do meu ouvido.
Ser surda, muda e cega seria a glória caso a solução não fosse nascer de novo. Já tentei, mas até para nascer de novo a burocracia é insuportável.
As dores do mundo me atingem em cheio, somadas as minhas dores já não aguento mais. A solidão e a insônia são pouco frente a impossibilidade de criar coisas grandiosas, ou amores que não fossem banais. As certezas são tão pequenas e o desafio é tão superior que transcede até mesmo os devaneios que crio em noites de insônia, como a passada.
Pensei em você, pensei em ser um ser humano, ou deixar de ser, pensei na ética que falta nas relações entre as pessoas, pensei em sufocar em silêncio, mas nesse momento o sono chegou. Talvez ao dormir eu seja bem interessante, mas não é certeza, meu amor, e fora isso, eu não tenho nada mais a oferecer.

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