sábado, 2 de fevereiro de 2008

Na cama

Negrito = Ele
Itálico = Ela

- Qual parte você não entendeu?
- Você está se precipitando. Eu entendo que você esteja chateada, mas faz um tempo que eu quero parar pra conversar com você.
- Eu não quero conversa. Não quero discutir relação. Eu não quero mais.
- Eu vou tomar um banho, a gente sai e vai jantar. Só preciso de dez minutos.
- Você não precisa tomar um banho para se sentir menos sujo.
- E você não precisa ser grossa.
- Eu não quero mais. Sem drama. Sem música de fundo. Sem lágrima. Simples, seco.
- Eu te fiz alguma coisa?
- Sabia que eu detesto essa palavra? Coisa. Você não me fez coisa alguma. Eu não preciso me explicar. Você faz essa cena parecer como a de um casal que está junto há dois, três anos. E nós estamos saindo desde julho. Se contarmos os nossos encontros não dá mais de 15. Então entenda que eu não te quero. Eu não quero mais você aqui em casa. Ou na minha cama. Especialmente na minha vida.
- Você não parece a menina que eu conheci.
- A menina que você conheceu curtiu a sua cantada, embarcou na sua conversa e não foi dificil. A menina que você conheceu sempre sonhou se aventurar com um homem casado. Pra mim você era um desses homens casados insatisfeitos sexualmente e que precisava de um pouco de putaria e pronto.
- Eu nunca escondi nada de você.
- Tá certo, você nunca me escondeu a aliança.
- Eu te contei sobre minha mulher, meus filhos... tudo!
- O que eu quero te dizer é que eu não quero mais. Certamente você é um homem interessante. Só que eu não quero mais. Eu não quero.
- Eu pensei que fossemos ficar juntos.
- Junta comigo? Como um relacionamento? Dividir a vida, a casa, os amigos? Você queria abandonar a sua vida, os seus filhos e se mudar pra cá? É isso?
- Isso é ridiculo.
- Ridiculo é voce querer me fazer acreditar em uma mentira barata. Como se eu fosse uma amante dos anos trinta e voce não tivesse coragem de abandonar o sua mulher e me enrolasse por meses, anos a fio, sem foder e nem sair de cima. Eu sou mais nova que você, mas eu não sou nenhuma criança.
- Olha a situação que voce me colocou.
- Eu não te coloquei em lugar nenhum. Aliás, te coloquei na minha cama diversas vezes. Qual parte você quer que eu repita? Ninguém nunca te deu um fora, playboy? Eu não quero mais putaria.
- Então você acha que tudo que houve entre nós foi isso? Putaria?
- Putaria da boa. Putaria maiuscula. De me deixar de cabeça para baixo, de me fazer gritar na cama. Você é um ótimo parceiro.
- Eu adoro a nossa cama. Eu adoro o seu jeito de menina. Eu adoro te pegar pelo cabelo e te fazer gemer no meu ouvido..
- Você me usa para descortinar o homem que você não tem coragem de ser.
- Eu não sou uma farsa, garota.
- Você diz essas sacanagens na hora do sexo para me estimular, para me convencer, para que o meu desejo de te dar prazer seja ainda maior. E quando eu faço o que você pede, o que você gosta, eu vejo os seus olhos. Eu vejo você e a sua máscara quebra. É assim que você se entrega e se mostra. Só assim, nesses segundos de intimidade.
- Vai se foder, você ainda nem saiu das fraldas.
- Que seja, mas eu não te quero mais.
- Você me analisa de acordo com a experiencia que você acha que tem.
- Olha, eu já tive medo. Eu nunca fui casada e nunca tive que romper uma relação antes, mas eu sei bem como é ter medo para poder se expressar e por mais que você negue, em algum lugar, com outro alguém, em qualquer época, você um dia vai lembrar dessa conversa.
- Acho improvável.
- Mas não é impossivel.
- Fica assim então?
- Fica assim. Eu não tenho nada contra você. Eu te abri a porta da minha casa, te coloquei em cima da minha cama. Você é tão lindo e tão cheio de de delicados problemas. Preciso largar essa vida de plástico. De pau sem nome. Eu quero acordar, me olhar no espelho e não estar sozinha, entende?
- Eu não posso te oferecer isso.
- Eu não pedi.
- Eu sei que não. Posso te pedir uma última noite? Uma despedida?
- Não, não pode. Também não pode me ligar. Também não quero mais mensagens cheias de tesão. Não pode. Você não pode mais. Eu não permito.
- E se um dia a gente se esbarrar?
- Olha, eu não sou louca. Se um dia a gente se encontrar, a gente se cumprimenta, a gente faz como todo mundo faz. Só preciso te pedir um último favor.
- Claro!
- Vista a sua roupa e saia da minha casa.

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