domingo, 20 de janeiro de 2008

Cão sem dono

Bagunça o meu sono e lá se vai a minha madrugada dormida. observo as horas no visor do celular curiosa para saber me localizar no tempo. Deitada, ouvindo canções de fossa no mp3 costumeiro e faz frio, tão frio que não me reconheço entre o cobertor. Permita-me dizer que não sendo nós dois nem tão amantes, nem tão amigos, nem tão estranhos, nem tão imunes que não tenho responsabilidade qualquer sobre a sua forma de encarar o amor. Não tenho nada com a sua vida, enfim. Porque foram sete ou oito meses. Sete ou oito meses que vc fez questão de me fazer perceber que o meu carinho por vc batia na trave e não goleava. Que eu não te interessava tanto como mulher. Que eu não despertava em vc o que vc despertava em mim. Exercicio interessante da clássica história do 'gostei de você, mas só vou te comer'. Também não me doeu tanto ou mais do que qualquer outro, em qualquer outra época ou lugar. Depois de um tempo, a gente compreende que a recusa com menos urgência e driblando o fantasma do ego e os contornos do orgulho, ainda é possivel tirar proveito da situação e sorrir. Então, meu caro, essa intimidade de me telefonar na virada da noite, não combina com nossa história sem êxito. Não me surpreende e também não me impressiona, porque dizer 'alô' não me custa muito, além da voz. Mas me lança uma pulga que incomoda e confunde o desejo adormecido de uma noite qualquer, lá no passado recente do ainda ontem, saber que te quis. Não deveria. Sua voz denuncia um tanto da noite: do frio, da chuva, do abismo, do medo, do inferninho onde tudo começou. Não deveria.

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